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Segurança Eletrónica

Segurança Física e Proteção Perimetral

A segurança física corresponde à constituição de barreiras de forma a evitar, ou retardar, intrusões e garantir uma resposta mais eficaz às mesmas. É o ramo da segurança que visa prevenir acessos não autorizados a equipamentos, instalações, materiais ou documentos. Este tipo de segurança pode ser concretizado através de uma simples porta ou envolver complexos sistemas de segurança onde a tecnologia de ponta é uma constante.

Ao contrário do que se pode pensar, a preocupação com a segurança física não é um fenómeno do século XX. Deste muito cedo na história da humanidade que garantir a segurança de certos espaços foi uma preocupação. Por esta razão é com relativa facilidade que encontramos no passado vários exemplos de aplicação de medidas para garantir a segurança física de determinados lugares. As muralhas e os fossos construídos nos castelos medievais são apenas dois exemplos arcaicos de segurança física.

No entanto, os sistemas de segurança física têm sofrido uma evolução significativa nos últimos anos, nomeadamente devido à incorporação nos sistemas mais modernos de tecnologias como:
 
  • Utilização de detectores de infravermelhos;
  • Mecanismos de controlo de acesso eletrónico;
  • Videovigilância;

É importante ressalvar que apesar de todos os desenvolvimentos tecnológicos, o objetivo final de prevenir acessos não autorizados a equipamentos, instalações, materiais, documentos não sofreu alterações. 

Riscos e Graus de Segurança

Quando se pretende garantir a segurança física de um espaço é fundamental realizar uma análise eficiente e conclusiva dos riscos existentes. Nesse sentido, a norma europeia EN 50131 define quatro graus de risco que devem ser considerados:

Grau 1 – Baixo Risco: Utilizado para definir instalações em que se considera pouco provável a existência de intrusões. Neste grau, considera-se que as intrusões existentes neste tipo de edifícios não são planeadas e caracterizam-se pela tentativa de forçar portas ou janelas de forma arbitrária.

Grau 2 – Risco Baixo a Médio: Categoria onde se situam a maioria dos sistemas residenciais ou instalações comerciais de baixo risco. Considera-se que os intrusos não possuem grandes conhecimentos acerca dos sistemas de segurança e que têm recursos limitados. A estratégia de intrusão passa por ter acesso às instalações através de pontos desprotegidos.

Grau 3 – Risco Médio a Elevado: É nesta categoria que está inserida a maioria das instalações comerciais e industriais. Ao contrário das categorias anteriores, espera-se que os intrusos tenham experiência a lidar com sistemas de deteção de intrusão e que possuam o equipamento necessário para lidar com os sistemas de protecção mais simples.

Grau 4 – Risco Elevado: Engloba as instalações de alta segurança e de risco elevado. Nesta fase já não se espera que possíveis intrusões sejam realizadas por um único intruso. Ao invés, é expectável que a intrusão seja realizada por um grupo de indivíduos com elevado conhecimento sobre mecanismos de segurança, que preparou detalhadamente o plano de ação e que tem disponíveis recursos tecnológicos muito avançados.

Um bom sistema de segurança física

Apesar do objetivo da segurança física estar focado em evitar o acesso de pessoas indesejáveis a determinados espaços físicos, documentos ou produtos, pode haver diferentes formas de abordar este problema.

Para uns, um bom sistema de segurança é aquele que está pronto para dar resposta ao tipo de intrusos que se prevê estarem mais interessados no espaço ou/e informações ou bens protegidos. No entanto para outros, a estratégia mais indicada durante a conceção de um sistema de segurança física passa por montar um sistema cujos custos de planeamento e intrusão são superiores aos do valor dos produtos que se pretendem roubar.

Um sistema de segurança física eficaz utiliza um conceito com vários “layers” interligados entre si. Nestes sistemas há dois tipos de defesa implícita. Por um lado, falamos de defesa passiva sempre que se pretende evitar ou atrasar as ações de possíveis intrusos. No entanto, quando se deteta uma intrusão e se dá início aos processos de resposta falamos de defesa ativa.

Quando se planeia um sistema de segurança física é fundamental ter em conta que cada espaço que necessita de proteção é um espaço único. Como tal, o sistema mesmo que adote estratégias adaptadas noutros projetos, deve ter em conta a singularidade do espaço protegido.

Etapas de Planeamento de um Sistema de Segurança
  • Dissuasão
  • Deteção
  • Alarme
  • Retardamento
  • Resposta


Pilares de um Sistema de Segurança
Normalmente, são três os principais pilares nos quais assenta qualquer sistema de segurança:
  • Pessoas
  • Tecnologias
  • Processos

Neste equilíbrio, e além do papel desempenhado pelas tecnologias ao dispor, é o papel da intervenção humana aquele que assume maior importância. A incapacidade da tecnologia para desempenhar tarefas que podem ser tão simples como identificar a presença de um indivíduo ou as intenções deste continuam a fazer do fator humano um componente indispensável em qualquer sistema de segurança física. A presença humana é também importante porque este é o último garante do sistema quando a tecnologia falha.

No entanto, e apesar da importância que assume nos sistemas de segurança, o fator humano está também sujeito a falhar. Isto pode acontecer por variadas razões, desde distrações a excesso de confiança nas tecnologias utilizadas.

Possíveis falhas humanas:
 
  • Permissão de acessos não autorizados
  • Partilha de códigos de segurança
  • Revelação de informação importante sobre os sistemas

Sistemas de Deteção e Proteção Perimetral

A segurança perimetral diz respeito a todos os meios físicos, eletrónicos e humanos utilizados para garantir que o perímetro de um edifício ou área tem protecção contra potenciais ameaças e acessos não autorizados.

Além de ser muito importante adequar estes sistemas aos espaços protegido, é conveniente que se pensem os sistemas em conformidade com os recursos financeiros disponíveis. Os custos de aquisição podem ser muito elevados, mas a estes é necessário acrescentar as despesas de manutenção que são essenciais para garantir o correto funcionamento do sistema.

Como os sistemas de detecção perimetral fazem parte dos sistemas de segurança física, estes são também constituídos por vários “layers” aos quais, normalmente, corresponde o uso de diferentes tecnologias. O facto dos diferentes “layers” estarem interligados dificulta a ação do intruso, que assim tem de lidar com vários mecanismos de proteção ao mesmo tempo. Quando os vários “layers” não estão interligados, correspondendo somente a um somatório dos mesmos, a tarefa do intruso é facilitada porque este só tem de se preocupar com um obstáculo de cada vez.
Resumidamente algumas das tecnologias mais utilizadas nestes sistemas são:
 
Barreiras de deteção:
  • Barreiras de infravermelhos;
  • Barreiras de Microondas;
  • Barreiras de dupla tecnologia;
 
Linhas enterradas ou associadas a uma vedação:
  • Sensores sísmicos ou de pressão que respondem a distúrbios no solo associados ao impacto da deslocação;
  • Sensores de campo eletromagnético que respondem à alteração no campo electromagnético causado pela movimentação de material metálico, ideais para a deteção de veículos ou armas.
  • Deteção por cabo coaxial – Mede a alterações de condutividade
  • Deteção por fibra óptica – Mede a variação de intensidade e difracção de luz resultantes da deformação a que a fibra for sujeita.
  • Cabo sensor – Deteta movimentos ou choque provocado por um indivíduo em contacto com a vedação.

As novas tecnologia de análise inteligente de vídeo permitem também definir no sistema de videovigilância vedações virtuais em torno da área a proteger constituindo-se assim como alternativa ou complemento da deteção convencional. 

Espaços e Método Comum

Espaços onde se recomenda a instalação destes sistemas:
  • Propriedades Privadas Rodeadas de Espaços Abertos
  • Empresas
  • Armazéns e Espaços Comerciais
  • Recintos Vedados
 
Método Comum de Conceção:
  • Vedação que protege contra atos de vandalismo e circulação de animais;
  • Uma ou duas barreiras de sensores;
  • Estrutura de paredes massiva em instalações de alto risco;