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Segurança Contra Incêndio

Deteção de Incêndio Residencial

OS INCÊNDIOS URBANOS


A literatura científica e os dados estatísticos no que respeita aos incêndios urbanos são escassos. No entanto, sabe-se que por regra, a ação humana é a maior responsável pelas ocorrências em meio urbano. Muitos incêndios são provocados por desconhecimento, falta de cuidado ou infortúnios. Algumas das causas mais comuns são as seguintes:

- Equipamentos elétricos
- Negligência
- Velas decorativas ou aromáticas
- Fumar
- Cozinhar
 
Os incêndios urbanos ocorrem maioritariamente em divisões como a sala de estar, a cozinha ou os quartos e com mais incidência durante os fins-de-semana e nas divisões onde existem mais têxteis e mobília. As principais vítimas são as crianças e os idosos. Entre os fatores que mais contribuem para a ocorrência de vítimas mortais, está o condicionamento físico, como as dificuldades motoras e a diminuição das capacidades cognitivas verificadas aquando do consumo de bebidas alcoólicas.
 
A prevenção passa por mudar comportamentos humanos do dia-a-dia. Ainda assim, as causas destes incêndios podem também ser provenientes de falhas em sistemas e aparelhos instalados nas habitações, por exemplo, equipamentos de aquecimento no inverno, fogões elétricos, chaleiras elétricas de água quente, microondas e máquinas de café. Devem por isso ser utilizados equipamentos elétricos que possuam marcação CE. Através da marcação CE, o fabricante ou importador declara que o equipamento cumpre todos os requisitos fundamentais de segurança e saúde das diretivas europeias que estão especificadas nas Normas Europeias harmonizadas correspondentes.

Todos os anos são registados em Portugal inúmeros incêndios em habitações. O quadro seguinte, com dados do Relatório de Atividades da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) do ano 2019, mostra o número de ocorrências de incêndios urbanos em Portugal e permite compará-lo com o número de incêndios industriais e de outros incêndios (excluindo os rurais), entre 2017 e 2019.
 
Tipo de Socorro 2017 2018 2019
Incêndios em habitação 7 019 7 764 7 888
Incêndios industriais 741 706 715
Outros incêndio (excluindo os rurais) 10 809 11 321 11 932

Perante o crescente número de ocorrências de incêndios nas habitações é necessário atuar através da prevenção. É por isso importante o envolvimento das entidades competentes, mas também das comunidades. A população tem de estar mais informada e consciente dos riscos e a própria segurança dos edifícios tem de aumentar.

 

Deteção de incêndio NAS HABITAÇÕES


A deteção de incêndio é um dos meios mais eficientes para a rápida identificação de um foco de incêndio. Nas habitações podem ser utilizados sistemas automáticos de deteção de incêndio (SADI), ou soluções mais simples, constituídas apenas por detetores de incêndio autónomos, como os detetores de fumo. Estes detetores são dispositivos que conseguem registar de forma contínua as características do fumo provenientes do fogo e emitir automaticamente um sinal de alarme quando determinados parâmetros são excedidos. Se detetado numa fase precoce, o fogo pode ser mais facilmente controlado com recurso a outros equipamentos como extintores portáteis ou mantas ignífugas. 
 
Um detetor pode salvar vidas, principalmente quando os ocupantes estiverem a dormir. Os incêndios podem ter início durante a noite, resultado de um curto-circuito, por exemplo. Os incêndios noturnos são normalmente os mais perigosos porque se as pessoas estão a dormir perdem o tempo de reação e podem acabar por perceber o incêndio quando este já tiver atingido proporções elevadas, aumentando o risco de acidentes.
 
Tanto os sistemas automáticos de deteção de incêndio como os detetores de fumo autónomos necessitam de possuir marcação CE e de cumprir as normas europeias que lhes são aplicáveis (SADI: EN 54; detetores de fumo autónomos: EN 14604). Quando bem instalada e mantida, a deteção de incêndio pode ajudar a salvar vidas.

Como instalar?

A instalação da deteção de incêndio deverá ser realizada por empresa de segurança especializada, com técnicos qualificados e devidamente registada na ANEPC. O técnico deverá averiguar o número de detetores a instalar na habitação e a localização dos mesmos, consoante a configuração da habitação e os riscos presentes. No caso de optar apenas pela instalação de detetores de fumo autónomos, estes devem ser colocados de forma a serem audíveis em todas as divisões da casa, principalmente nos quartos, para que quando estiver a dormir possa ser alertado para o perigo.

Como manter?

A deteção de incêndio, à semelhança de qualquer outro meio de proteção, só é uma verdadeira aliada quando é objeto de manutenção regular.

Estando os detetores de fumo sujeitos a acumulação de pó e outras partículas suspensas no ar, podem ver a sua sensibilidade alterada, podendo inibir a deteção ou criar falsos alarmes. Aconselha-se, por isso, que os sistemas com este tipo de detetores sejam sujeitos, em condições normais, a pelo menos uma manutenção anual.
 
Analisando dados da NFPA – National Fire Protection Association para habitações nos Estados Unidos da América, verificamos que o número de vítimas mortais por ocorrência de incêndio em habitações equipadas com deteção de incêndio é menos de metade do número de vítimas mortais em incêndios ocorridos em habitações sem deteção ou com deteção, mas inoperacional (ver gráfico abaixo).



A instalação de sistemas de deteção de incêndio confere um sentimento de segurança, mas se a manutenção não for efetuada o que se verifica na prática é um sentimento de falsa segurança.

Para mais informações sobre este assunto, consultar:

- NFPA Report: Smoke Alarms in US Home Fires, Marty Ahrens, February 2021
- NFPA Report: Home Structure Fires, Marty Ahrens and Radhika Maheshwari, November 2020
- CFPA-E Guideline No. 24:2016 F - Fire safe homes
Conteúdo atualizado em agosto de 2021