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Segurança Contra Incêndio

Manutenção de Sistemas Automáticos de Deteção de Incêndio

Os incêndios em edifícios podem provocar avultadas perdas materiais, através da combustão descontrolada dos materiais combustíveis presentes nos edifícios e dos próprios elementos de construção e revestimentos. Mas mais grave é a perda de vidas que pode resultar destes incêndios. É por isso necessário detetar precocemente qualquer incêndio de forma a minimizar ao máximo todas estas perdas. A atuação sobre um incêndio que se encontre numa fase inicial é muito mais eficaz e possibilita a evacuação de pessoas de forma mais segura.
 
Claro que o nosso olfato nos pode alertar para a presença de fumo. Mas o incêndio pode ter origem numa outra sala ou divisão e não onde nos encontramos. Para além disso o nosso olfato nem sempre é o suficientemente preciso e normalmente quando sentimos o cheiro do fumo já o incêndio atingiu outra proporção. Normalmente, um detetor de fumo deteta o fumo muito antes de o conseguirmos cheirar. Então, um Sistema Automático de Deteção de Incêndio (SADI), vai permitir, através deste e outros tipos de detetores, alertar-nos de forma eficaz quer estejamos distraídos, a trabalhar ou até a dormir. Com a ajuda deste sistema podemos agir de forma apropriada para combater o incêndio ou proceder à evacuação do espaço antes que seja tarde demais.  Em caso de incêndio, todos os segundos podem ser determinantes para salvar vidas.
 
É esperado então que os SADI ajudem a proteger os edifícios, as pessoas e os bens. Mas para que isto aconteça, estes sistemas necessitam de estar operacionais e não é possível averiguar a sua operacionalidade apenas olhando para eles, é necessário realizar a manutenção dos mesmos. Tal como acontece com qualquer outro equipamento eletrónico, os componentes do SADI também se degradam ao longo do tempo, comprometendo o funcionamento do sistema. Os atos de vandalismo, as remodelações nos edifícios, a falta de manutenção ou simplesmente a acumulação de pó ou sujidade nos equipamentos podem ser suficientes para afetar ou danificar o sistema.

Garantir um sistema com bom desempenho

A boa notícia é que é possível manter os SADI a funcionarem com um bom desempenho se os sujeitarmos a verificações regulares e a operações de manutenção. Por isso, tem de ser considerada uma manutenção preventiva, com o objetivo de impedir a ocorrência de falhas no desempenho dos equipamentos e uma manutenção corretiva, que vai permitir restaurar o normal funcionamento dos equipamentos do sistema que, entretanto, falharem. Para uma correta manutenção dos SADI é importante considerar as instruções do fabricante dos equipamentos que o constituem, a Nota Técnica n.º 12 da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e a Norma Europeia CEN/TS 54-14.
 
Desde logo, importa saber há quanto tempo o SADI foi instalado e qual o seu histórico de avarias e de manutenções. Por exemplo, se o sistema tiver menos de cinco anos, à partida necessitará de pouca manutenção, apesar de poder apresentar problemas derivados de uma instalação menos cuidada. Por outro lado, um sistema com quinze anos irá carecer de mais atenção. Mas o fator “idade” não é o único a ter em consideração na hora de decidir sobre a manutenção que o sistema necessita. Os SADI podem ter tido um histórico de manutenções muito incompleto o que pode aumentar o número de falhas e avarias dos seus equipamentos, ou talvez o nível de conhecimento relativo ao sistema das pessoas responsáveis pelas verificações seja reduzido, ou mesmo as condições do ambiente em que o sistema se encontra (temperatura, humidade, etc.). Todos estes fatores influenciam o seu funcionamento. São estas as razões pelas quais as empresas qualificadas para a manutenção dos SADI por vezes recomendam aos proprietários dos sistemas procedimentos de manutenção mais exigentes e que excedem as recomendações da própria norma.

As pessoas habilitadas a realizar a manutenção dos SADI

Antes de assinar qualquer contrato de manutenção deverá sempre verificar se a empresa prestadora do serviço está legalmente habilitada para o realizar. Para o efeito, a empresa de manutenção terá de estar devidamente registada na ANEPC, o que irá comprovar a sua capacidade técnica.

No que diz respeito às verificações periódicas, estas são habitualmente realizadas pelos Responsáveis de Segurança dos edifícios que avaliam se o sistema está apto a garantir a sua função quando necessário. São também os Responsáveis de Segurança que devem garantir que o sistema é intervencionado pelo menos uma vez por ano, por empresa qualificada para o efeito.  Estas empresas, no final de cada intervenção de manutenção, devem entregar ao cliente um termo de responsabilidade subscrito pelo Técnico Responsável da empresa, atestando que foram cumpridas as normas aplicáveis e as instruções dos fabricantes, bem como um relatório de manutenção, subscrito pelo técnico que intervencionou os sistemas, com informações detalhadas sobre as ações executadas.
 
Agora já sabe a importância de manter o correto funcionamento dos SADI, a quem compete garantir que a manutenção do sistema é realizada e quais as empresas que o podem fazer. O próximo passo será ficar a conhecer quais os procedimentos que devem ser seguidos para realizar corretamente as verificações aos SADI e também quais os procedimentos de manutenção adotados pelas empresas. Aconselhamos a consulta do Guia de Manutenção de Equipamentos e Sistemas de Proteção contra Incêndio que a APSEI preparou para si, onde poderá ficar a saber muito mais sobre a manutenção deste e de outros sistemas de segurança contra incêndio.

Sabia que…

  • Existe a possibilidade de consultar uma lista com as empresas habilitadas a realizar os serviços de manutenção a equipamentos e sistemas de segurança contra incêndio em edifícios? Pode encontrar esta lista no site da ANEPC, em www.prociv.pt 
  • Para selecionar uma empresa capacitada para realizar a manutenção do seu Sistema Automático de Deteção de Incêndio pode consultar o diretório de associados da APSEI.
  • Leia mais sobre deteção de incêndios no site da APSEI, aqui
  • A norma europeia EN 54-14:2018 estabelece um conjunto de procedimentos para a manutenção dos Sistemas Automáticos de Deteção de Incêndio e pode ser adquirida junto do IPQ - Instituto Português da Qualidade. A Comissão Técnica 46, gerida pela APSEI, está neste momento a traduzir esta importante norma europeia.
  • A Nota Técnica n.º 2 da ANEPC tem uma minuta de Termo de Responsabilidade para ser utilizada pela empresa prestadora do serviço de manutenção aos Sistemas Automáticos de Deteção de Incêndio.
  • Estão estabelecidas contraordenações para os casos onde não é realizada a manutenção dos Sistemas Automáticos de Deteção de Incêndio? Consulte o Guia de Manutenção de Equipamentos e Sistemas de Proteção contra Incêndio – Sistemas Automáticos de Deteção de Incêndio e fique a saber mais sobre este assunto.