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Segurança Contra Incêndio

Sistemas Fixos de Extinção Automática de Incêndios por Água Nebulizada

Os Sistemas Fixos de Extinção Automática de Incêndio por Água Nebulizada são um dos diversos sistemas de extinção automática que ao longo dos últimos anos tem sido utilizado no controlo e extinção de incêndio, nas mais variadas possibilidades de aplicação. 

No entanto, a definição da solução de segurança do tipo água nebulizada a aplicar, implica o estudo pormenorizado do espaço a proteger com base numa avaliação de riscos que tenha em consideração todas as suas particularidades e fragilidades. Destacam-se aspetos como os tipos de risco, a carga combustível, compartimentação, ventilação, situação do combustível, aplicação total, aplicação local, entre outros.

O resultado do estudo irá por sua vez permitir a elaboração do desenho e cálculo de todo o sistema, e determinar aspetos como o tipo de sistema, os tipos e a localização dos difusores, o caudal de cada difusor, o caudal total, a reserva de água necessária, entre outros parâmetros. Desta forma, os sistemas de água nebulizada devem ser avaliados no contexto combinado de um sistema de supressão e do risco, e não apenas como um agente extintor.

Tanto a norma NFPA 750Standard on water mist fire protection systems, como a EN 14972 – Fixed firefighting systems –  Water mist systems estabelecem os critérios mínimos para a utilização da água nebulizada e da instalação deste tipo de sistemas. A conceção dos sistemas e respetiva instalação deverão ser elaborados de acordo com as disposições das normas indicadas e tendo em consideração a documentação técnica disponibilizada pelos fabricantes.

Não obstante as orientações referidas, há que ter em consideração as disposições do Regulamento Técnico de Segurança Contra Incêndio em Edifícios (RT-SCIE), estabelecido pela Portaria nº 1532/2008, de 29 de dezembro, na redação dada pela Portaria nº 135/2020, de 2 de junho, já que é este documento que define as soluções de segurança contra incêndio que devem ser implementadas em cada tipo de edifício.
 
Os Sistemas Fixos de Extinção Automática de Incêndios por Água Nebulizada são definidos como aqueles que utilizam como agente extintor a água nebulizada, ou seja, água na forma de gotas, sendo que 90% das gotas que se localizam a 1 m do difusor têm diâmetro inferior a 1 mm.   

Estes sistemas têm três efeitos essenciais que resultam no controlo, supressão ou extinção de um foco de incêndio:
  • Em primeiro lugar, a água nebulizada contribui para o arrefecimento, uma vez que, aquando do contacto das gotas de água com as chamas, a água absorve grandes quantidades de calor e evapora. Uma vez que a evaporação se realiza em função da área de superfície das gotas, e que ao reduzir o tamanho das gotas se aumenta a área de superfície, a atomização da água atua como fator favorável no aumento do efeito de arrefecimento;
  • Adicionalmente, o sistema atua na forma de abafamento, uma vez que a água quando vaporizada aumenta o seu volume em cerca de 1650 vezes, e contribui para a redução da concentração de oxigénio. Consequentemente, quanto maior o nível de calor, maior a vaporização;
  • Por fim, as gotículas de água tendem a permanecer em suspensão e a criar uma névoa, permitindo a atenuação da transmissão de calor, uma vez que irá funcionar como barreira à transmissão de calor por radiação e arrefecer os gases de combustão, protegendo o meio envolvente.   

De entre as diversas vantagens da aplicação deste tipo de sistemas, destaca-se: a economia no agente extintor, uma vez que requer uma quantidade reduzida de água para o combate a incêndio comparativamente com outros sistemas; é inócuo para as pessoas expostas e para o meio ambiente; não necessita de total estanquidade do espaço a proteger e causa danos mínimos aos bens protegidos, em comparação com outros sistemas. 

Por sua vez, e embora os sistemas de extinção por água nebulizada ofereçam um excelente controlo extinção do incêndio consoante a sua aplicação, o seu desempenho está totalmente dependente da sua capacidade de gerar gotas suficientemente pequenas e de distribuí-las em quantidade adequada por todo o compartimento a proteger. Assim é de especial relevância a correta elaboração do estudo prévio à implementação do sistema, uma vez que irá influenciar de forma preponderante a eficácia deste.

Tipo de Sistema

Os sistemas de água nebulizada podem ser divididos em três categorias em função da faixa de pressão de operação que utilizam para gerar água nebulizada: baixa, média e alta pressão. O sistema de baixa pressão opera com pressões até 12,1 bar, os sistemas de média pressão operam com pressões compreendidas entre 12,1 bar e menores que 34,5 bar, já os sistemas de alta pressão operam com pressões maiores de 34,5 bar.

Este tipo de sistemas poderão ainda ser classificados em função do fluído, isto é, podem ser classificados como sistemas mono fluído, os quais produzem água nebulizada pela passagem de água ou água com aditivo através do difusor ou por sistemas de duplo fluído, que produzem água nebulizada no difusor pela mistura de água com um gás atomizador que é fornecido a partir de tubagem independente do abastecimento da água.

Tipologia do Agente Extintor

De acordo com o tipo de sistema de água nebulizada definido em função da faixa de pressão de operação e do fluído, verifica-se a possibilidade deste utilizar diferentes tipologias de agentes extintores:
  • Água;
  • Água com anticongelante;
  • Água com aditivo extintor;
  • Combinação de qualquer um dos agentes extintores anteriores com um gás inerte utilizado para pulverizar a água ou para reduzir a concentração de oxigénio no local a proteger.

Tipo de Abastecimento/Difusor

Também no que se refere ao tipo de abastecimento e de difusor utilizado na implementação do sistema, este pode ser projetado considerando uma das três arquiteturas listadas:
  • Sistemas de Dilúvio: Sistemas cujos difusores se encontram permanentemente abertos. A tubagem é ligada ao sistema de abastecimento de água através de uma válvula comandada por um Sistema Automático de Deteção de Incêndios (SADI) que monitoriza a área a proteger. Quando o SADI é acionado por deteção de incêndio, é acionada a válvula de dilúvio e dá-se a descarga de água nebulizada por todos os difusores.
  • Sistemas Húmidos: Sistemas equipados com difusores automáticos instalados numa tubagem permanentemente pressurizada com água, ligada através de um posto de comando a uma fonte abastecedora de água, de modo a que esta seja descarregada assim que o(s) difusor(es) são acionados.  
  • Sistemas de Pré-Ação: Sistemas combinados com um Sistema Automático de Deteção de Incêndios (SADI). As condutas a jusante do posto de controlo estão secas, sendo alimentadas com água unicamente quando o SADI deteta um incêndio. As condutas ficam assim pressurizadas com água, no entanto a atuação só ocorre quando o(s) difusor(es) são abertos por ação de um incêndio.

Inspeção e Manutenção

De acordo com a legislação e regulamentação portuguesa não é tratado especificamente a manutenção de sistemas de proteção contra incêndio.  Contudo, a obrigatoriedade de inspeção e manutenção destes sistemas, no qual se inclui o Sistema Fixo de Extinção Automática de Incêndios por Água Nebulizada, decorre da obrigatoriedade da implementação das medidas de autoproteção, que exige que as soluções instaladas nos edifícios sejam sujeitas a inspeções periódicas e a ações de manutenção preventivas regulares e os relatórios das respetivas manutenções incluídos nos registos de segurança que integram as medidas de autoproteção. Esta informação é especificada no Regulamento Técnico de Segurança Contra Incêndio em Edifícios, atualmente aprovado pela publicação da Portaria nº 135/2020 de 2 de Junho.

Neste sentido, compete ao responsável de segurança do edifício assegurar que o sistema de extinção automática por água nebulizada, enquanto sistema de proteção contra incêndio, é sujeito a inspeções periódicas e a ações de manutenção preventiva, com uma periodicidade mínima anual, tendo por base o estabelecido nas suas medidas de autoproteção.

No que se refere às inspeções periódicas, estas são normalmente realizadas por pessoal competente ao encargo do proprietário do sistema e deverão seguir um programa de inspeção e calendário de serviço. Para a sua correta realização, a entidade instaladora deverá fornecer ao utilizador um registo no qual possam ser introduzidos detalhes de inspeção e de serviço.

Por sua vez, as ações de manutenção preventivas anuais ou manutenções corretivas terão de ser obrigatoriamente realizadas por entidades devidamente registadas na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) para esse efeito, de acordo com o previsto na Portaria nº 208/2020, de 1 de setembro.