PT EN   
 

Segurança no Trabalho

As Lesões Muscoesqueléticas Relacionadas com o Trabalho (LMERT)

A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, na Campanha 2020-2022 “Locais de Trabalho Saudáveis: Aliviar a Carga”, tem como incidência nas lesões muscoesqueléticas relacionadas com o trabalho (LMERT), por se tratar de uma das doenças laborais mais comuns. A prioridade nas lesões muscoesqueléticas prende-se com a prevalência que as mesmas têm a nível da União Europeia (UE), pois aproximadamente três em cada cinco trabalhadores nos 28 países apresentam queixas relacionadas com este tipo de lesões.

A premência do combate das (LMERT), pode ser vista sobre dois pontos de vista, o da melhoria das condições de vida dos trabalhadores e o económico. A Europa tem milhões de trabalhadores com este tipo de lesões o que faz com que as entidades patronais tenham de suportar elevados custos.

O que são Lesões Musculoesqueléticas

As lesões musculosqueléticas relacionadas com o trabalho são lesões inflamatórias e degenerativas de estruturas orgânicas como, os músculos, as articulações, os tendões, os ligamentos, os nervos, os ossos e doenças localizadas do aparelho circulatório, cuja causa ou agravamento é devido à ação de fatores de risco profissionais.

Estas lesões são cumulativas e motivadas por esforços repetitivos ao longo de um período alargado de tempo, contudo e devido a acidentes de trabalho podem também ter a forma de traumatismos agudos como por exemplo as fraturas.

Sintomatologia das LMERT

Os sintomas são diversificados conforme indicados na figura 1:
Figura 1 - Tipos de sintomas
Os sintomas, na grande maioria dos casos, surgem gradualmente e, refletem-se no final do dia de trabalho ou em situações de maior carga de trabalho, estes sintomas podem ser minimizados com repouso.
 

Evolução dos sintomas das LMERT

  1. Dor intermitente e difusa (aparece principalmente durante os movimentos);
  2. Dor mais persistente (com as alterações das condições de trabalho é reversível);
  3. Dor irreversível (sintomas durante o sono e em períodos de repouso ou relaxamento);
  4. Dor intensa (mesmo em repouso, afetam as atividades comuns do quotidiano, surgem deformidades, podendo surgir alterações psicológicas).

Zonas Corporais mais afetadas pelas Lesões Musculoesqueléticas

  • Zona cervical;
  • Região dorso-lombar;
  • Os ombros;
  • Membros superiores;
  • Membros inferiores.

As lesões musculoesqueléticas, motivam problemas de saúde que podem variar entre dores ligeiras a situações mais graves que exigem tratamento médico e inclusive à ausência do posto de trabalho. Os sintomas surgem gradualmente, e agravam-se no final de um dia de trabalho e podem-se aliviar com o repouso, contudo ao longo do tempo têm tendência a intensificar-se e a tornarem-se constantes e irreversíveis, podendo no caso de situações crónicas levar à incapacidade dos trabalhadores e abandono da atividade profissional.

É fundamental, para evitar a progressão das lesões já descritas, conhecer quais os fatores de risco profissionais, para poder implementar medidas preventivas de forma a promover a alteração das condições de trabalho e a minimizar os vários danos aos trabalhadores.

Fatores de Risco

Em geral as LMERT são reflexo da correlação de vários fatores de riscos, como por exemplo riscos físicos e biomecânicos, organizacionais e psicossociais, bem como fatores individuais, conforme Quadro I.

Quadro I: Tipos de fatores de risco
Fatores de risco Podem incluir
Físicos e biomecânicos Movimentos repetitivos ou que requerem a aplicação de força;
Movimentação de cargas e em especialmente se existirem movimentos de torção e de flexão;
Má iluminação, vibrações e temperaturas extremas;
Posturas desadequadas que podem decorrer do equipamento mal desenhado, das ferramentas ou do posto de trabalho;
Estar muito tempo, na mesma posição, sentado ou em pé.
Organizacionais e psicossociais[1] Horas e ritmo de trabalho excessivos ou de turnos;
Elevadas exigências de trabalho e pouca autonomia;
Pausas e descanso insuficientes ou inexistentes;
Insegurança ou insatisfação laboral;
Intimidação, assédio e discriminação no local de trabalho;
Monitorização excessiva, por exemplo, com câmaras de vídeo.
Individual Historial médico;
Tabagismo;
Ingestão em excesso de bebidas alcoólicas;
Obesidade.

[1] Em geral, todos os fatores psicossociais e organizacionais, quando combinados com riscos físicos, podem levar a stress, fadiga, ansiedade ou outras reações que, por sua vez, potenciam o risco de LMERT.

Avaliar o Risco de LMERT

A solução não é única, pode ser ocasionalmente necessário o aconselhamento de especialistas para situações menos comuns ou graves, embora muitas soluções são de fácil resolução e comportam um baixo custo.
As formas de medir o risco de LMERT num posto de trabalho, podem ser designadamente as constantes do Quadro II[1]

Quadro II: Metodologia de identificação e avaliação do risco de LMERT
    (B) métodos de observação dos postos de trabalho aplicados:
  (A) (B1) no local de trabalho (B2) em registos de vídeo (C) medição com a recurso a instrumentação
Quando? Todos os postos de trabalho Postos de risco provável Locais de risco elevado Situações de trabalho complexas
Como? Observações e registos Observações e avaliações quantitativas Avaliações quantitativas Avaliações especializadas
Métodos Listas de verificação e identificação de fatores de risco
 
Métodos de observação no local de trabalho Métodos de observação em registos vídeo
 
Recurso a instrumentação
Que custos? Negligenciáveis 10 minutos/posto
 
Baixos 1 h/posto Moderados 1 a 2 dias/posto Elevados 1 a 2 semanas/posto
Quem? Trabalhadores c/formação específica Trabalhadores + Técnicos Técnicos Peritos
Competência sem Ergonomia Fracas Moderadas Elevadas Especialistas

[1] Adaptado do Guia de Orientação para a Prevenção das LMERT (DGS – Direção Geral da Saúde)

Os postos de trabalho ordenam-se numa escala de maior ou menor necessidade de intervenção preventiva, adequando e corrigindo os vários elementos dos postos de trabalho. Para uma fácil compreensão usam-se, como analogia, as cores do tipo semáforo (Quadro II):
Quadro II: Processo de hierarquização do risco de LMERT

 
Os resultados devem ter sempre em linha de conta as informações transmitidas pelos trabalhadores, pois são os que melhor conhecem as exigências dos seus postos de trabalho. Por ser fundamental, nas propostas de modificação/correção/implementação de mecanismos de adequação dos postos de trabalho a participação dos trabalhadores deve-se manter.
 

Prevenção das LMERT

Qualquer programa de prevenção das LMERT tem como vetor principal a participação de todos os elementos da empresa, desde os trabalhadores aos órgãos de gestão e as chefias intermédias, é com o esforço de todos que a prevenção pode ser feita e não apenas com os trabalhadores com doenças ou lesões e os médicos do trabalho.

A prevenção passa por um conjunto de procedimentos que têm como finalidade a redução do risco de lesões. Os referidos procedimentos constituem um modelo de gestão cujos principais componentes são os referidos na figura 2, abaixo.



 

Boas práticas sobre LMERT

De forma a complementar o referido anteriormente sobre a prevalência das LMERT, pois afetam 3 em cada 5 trabalhadores, o relatório, elaborado e publicado pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, sobre “Trabalhar com LME crónicas — aconselhamento em matéria de boas práticas”, é de extrema importância, pois faz uma análise profunda sobre o exercício da atividade profissional, salientando a importância da conceção de locais de trabalho inclusivos estabelecendo princípios para a gestão de LME crónicas. Os elementos chave, indicados para a prevenção, prendem no seu essencial com:
  • intervenção precoce;
  • a reabilitação eficaz e participativa;
  • o planeamento do regresso ao trabalho.

Realça ainda no respeitante às boas práticas, a adaptação do local de trabalho para os trabalhadores com este tipo de lesões, que englobam os horários flexíveis, a disponibilização das ferramentas e do equipamento ergonómico adequados ao desenvolvimento das respetivas atividades.

Exercícios a realizar no posto de trabalho

Conclusões

As lesões musculoesqueléticas são das doenças mais comuns relacionadas com o trabalho, as mesmas podem ser evitadas se forem implementadas medidas preventivas que no seu essencial se baseiam na adaptação dos postos de trabalho, podendo-se observar complementaridade com ginástica laboral, de forma a minimizar algumas lesões motivadas pela monotonia e repetitividade das atividades laborais e das más posturas. A prática da ginástica laboral ajuda por um lado a combater e por outro a prevenir de entre outras enfermidades, as lesões musculoesqueléticas, potenciando o aumento de produtividade e a satisfação dos trabalhadores.

Os exercícios de ginástica laboral, tentam exercitar as partes do corpo onde as lesões são mais frequentes, com uma duração entre os cinco e os quinze minutos, podendo ser praticados diariamente.