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Aliviar a carga: A EU-OSHA lança a Campanha «Locais de Trabalho Saudáveis» 2020-2022
2020-10-15
A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA) lançou a sua campanha 2020-2022 — «Locais de trabalho saudáveis: aliviar a carga» — dedicada às lesões musculoesqueléticas (LME) relacionadas com o trabalho. O lançamento marca o início de um programa de eventos e ações destinado a aumentar a sensibilização para este problema — que afeta milhões de trabalhadores em toda a Europa — e a forma de o resolver.

Apesar da legislação e das iniciativas de prevenção, cerca de três em cada cinco trabalhadores sofrem de lesões musculoesqueléticas (LME), que continuam a ser a queixa mais comum em matéria de saúde relacionada com o trabalho na Europa, afetando trabalhadores de todas as ocupações e setores. Os movimentos repetitivos, os períodos longos na posição sentada e o levantamento de objetos pesados são apenas alguns dos fatores de risco que contribuem para estas lesões, que podem afetar os músculos, as articulações, os tendões ou os ossos. O impacto negativo que exercem na qualidade de vida dos trabalhadores é evidente.

Numa conferência de imprensa em Bruxelas, no passado dia 12 de outubro, que assinalou o lançamento oficial da campanha, Nicolas Schmit, o comissário do Emprego e Direitos Sociais, destacou a necessidade urgente de agir: "A Comissão apoia sem reservas a campanha hoje lançada pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA) para responder ao problema das lesões musculoesqueléticas relacionadas com o trabalho. Assegurar o melhor ambiente de trabalho possível é fundamental para a saúde e o bem-estar da população ativa e, por conseguinte, um dever de todos os empregadores. Muitos de nós — 3 em cada 5 — já sentimos dores nas costas, rigidez dos músculos ou dores no pescoço em resultado do trabalho. Isto pode afetar gravemente a nossa vida quotidiana e a nossa produtividade, e ser prejudicial à saúde física e mental. Num momento em que a pandemia afeta a vida e o trabalho, todos podemos beneficiar das orientações e dos recursos hoje publicados".

Também a Presidência alemã do Conselho da UE reconheceu a necessidade de agir em matéria de LME e assumido o seu compromisso nesse sentido. Hubertus Heil, ministro alemão do Trabalho e dos Assuntos Sociais, afirmou: "As LME afetam todos os países da Europa e a todos nós de diferentes formas. Por conseguinte, devem ser geridas em todos os locais de trabalho europeus — desde fábricas e salões de cabeleireiro até a unidades hospitalares e serviços —, razão pela qual apoiamos plenamente a campanha «Locais de trabalho saudáveis: aliviar a carga»".

As LME também implicam custos significativos para os empregadores e os sistemas nacionais de saúde. Christa Sedlatschek, diretora executiva da EU-OSHA, salientou: "Além do sofrimento humano causado, são também muitas as limitações em aspetos gratificantes da vida privada e profissional dos trabalhadores. Os trabalhadores com LME faltam ao trabalho com mais frequência e por períodos mais longos, têm maior probabilidade de ser menos produtivos e, frequentemente, requerem a reforma antecipada.  Isto não são boas notícias para as empresas e representa um enorme encargo para as economias nacionais. A atual campanha destaca que a intervenção precoce e a reabilitação são fundamentais e inteiramente possíveis. Se trabalharmos em conjunto e adotarmos boas práticas agora, poderemos prevenir as LME nas futuras gerações de trabalhadores".

As medidas para prevenir e controlar as LME são frequentemente simples e pouco dispendiosas, e esta é uma das principais mensagens da campanha «Locais de trabalho saudáveis: aliviar a carga». A campanha destina-se a trabalhadores e empregadores de todos os setores, dedicando especial atenção aos setores de alto risco, como os cuidados de saúde e a educação de infância.

Outras das áreas de foco é ajudar os trabalhadores com LME crónicas a permanecerem na vida ativa, tendo presente a necessidade de considerar os riscos psicossociais e a diversidade dos trabalhadores e de adotar abordagens colaborativas à gestão das LME que envolvam os trabalhadores, os empregadores, os prestadores de cuidados de saúde e outras partes interessadas.

Deve ser dada especial atenção aos riscos emergentes que decorrem, por exemplo, da digitalização e das novas tecnologias, bem como a formas de organização do trabalho. Estas preocupações são particularmente oportunas em contexto de pandemia da COVID-19, que obrigou muitos trabalhadores a trocar o trabalho no escritório pelo trabalho em casa. As LME e o teletrabalho em casa é um tema prioritário da campanha.
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