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Proteção Civil de Sintra estima corte de 370 árvores na serra
2018-02-19
O corte de 370 árvores na serra de Sintra, a maioria pinheiros mas também cedros e acácias, é admitido num relatório da Proteção Civil sintrense, justificado com a necessidade de criar “uma faixa de segurança” contra incêndios.

O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) prevê “a remoção” de 307 pinheiros (299 verdes e oito exemplares arbóreos secos), 30 cedros e 33 acácias, em áreas sob a sua gestão direta, refere um relatório do Serviço Municipal de Proteção Civil de Sintra, a que a Lusa teve hoje acesso.

“Trata-se de uma remoção maioritariamente de pinheiros que se encontram no fim do seu ciclo de vida, espécies que não se coadunam com os referidos ‘habitats’ de proteção e que atualmente criam ensombramento à regeneração de espécies autóctones”, nomeadamente de carvalhos e medronheiros”, lê-se no documento.

A intervenção, no território de Sintra, está prevista numa faixa de 1,7 quilómetros na Estrada Nacional (EN) 9-1 e de 364 metros na estrada florestal entre a Malveira e o cruzamento da Portela, sem contar com cortes no município de Cascais.

Segundo a Proteção Civil de Sintra, a remoção de arvoredo enquadra-se no âmbito da Defesa da Floresta Contra Incêndios e o ICNF “pretende criar uma faixa de segurança na vertente sul da serra de Sintra”, onde se verificou “maior número de pontos de ignição” e, no verão de 2017, arderam 500 metros quadrados de área florestal.

O corte das 370 árvores foi objeto de parecer do comandante dos Bombeiros Voluntários de Almoçageme, que considerou “relevantes as medidas” do ICNF, mas referiu que “as ações de remoção, só por si, não anulam a ocorrência deste tipo de incêndios florestais”, apesar da “mitigação do risco”.

O operacional avisou que se trata de uma “vertente com exposição solar virada a sul, onde é expectável que um incêndio florestal com origem no lado da Quinta da Penha Longa tenha uma intensidade e velocidade de propagação superior ao normal”.

Para o comandante, no entanto, o ICNF deve também intervir no “lado oposto ao perímetro florestal, em frente à Penha Longa, onde existem árvores de grande porte com continuidade nas copas”.

O relatório conclui que “a mitigação do risco de incêndio deverá passar principalmente pela compartimentação da paisagem, nomeadamente pela substituição de invasores lenhosos por espécies autóctones”, mas também “acompanhada de um programa de manutenção regular, anual”.

Além do acompanhamento das ações pelo Gabinete Técnico Florestal da autarquia, no documento propõe-se ao ICNF que a área ardida no ano passado seja requalificada com novas plantações de cerca de 200 espécies autóctones até ao inverno de 2019.

O relatório destaca ainda que a autarquia, em parceria com a sociedade Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML), desenvolve uma ação preventiva de incêndios, através da equipa de sapadores florestais de Sintra, em articulação com os sapadores de Cascais.

“A PSML nos últimos três anos plantou cerca de 10.000 espécies autóctones [e] está previsto plantar 60.000 novas espécies em 2018”, adianta o documento.

Uma fonte oficial da Câmara de Sintra disse à Lusa que o presidente da autarquia, Basílio Horta (PS), “concorda com as conclusões e procedimentos adotados” pela Proteção Civil municipal.

A divulgação, em março de 2017, da marcação de cerca de 1.350 árvores para corte na serra de Sintra motivou a contestação de deputados, associações ambientalistas, cidadãos e autarcas.

O presidente do ICNF comprometeu-se, numa audição na Assembleia da República, em abril, a reavaliar os critérios do corte, mas assegurou que a ação cumpria normas do plano municipal de defesa da floresta e visava “a proteção de pessoas e bens”.

Um movimento de cidadãos denominado Q Sintra alertou, a 10 de fevereiro, diversas entidades para a necessidade de “medidas urgentes” para proteger “milhares de árvores, sobretudo cedros e pinheiros”, ameaçadas de abate na serra de Sintra.

Em comunicado, o Q Sintra – ‘Em defesa de um sítio único’ considerou que o corte de árvores “não diminuirá o risco de incêndios” e, ao contrário, poderá “aumentá-lo, secando os solos e abrindo caminho para espécies invasoras”.

Fonte: Lusa
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