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Regiões autónomas registam mais mortes por acidente de trabalho face ao continente
2016-07-20
Segundo o relatório “Trabalho e Saúde em Portugal” desenvolvido pelo Instituto de Saúde Pública do Porto (ISPUP), a regiões autónomas dos Açores e da Madeira registam um maior número de acidentes de trabalho mortais, face ao continente, mais concretamente de cinco acidentes de trabalho mortais por cada 100 mil trabalhadores, face, por exemplo aos 1,4 acidentes mortais por 100 mil trabalhadores registados na Área Metropolitana de Lisboa.

De acordo com o estudo citado pela Lusa, em termos nacionais, nas empresas de maior dimensão, aqueles que possuem mais de 250 trabalhadores, há 1,5 acidentes mortais por cada 100 mil trabalhadores, ao passo que nas microempresas, onde o número de trabalhadores varia entre um e dez, o número é de 7,3. Segundo Raquel Lucas, investigadora que liderou o estudo, tal deve-se à "menor cobertura de serviços de segurança no trabalho", embora constituam "95% do nosso tecido produtivo".

O projeto "Trabalho e Saúde em Portugal", concluído em junho de 2016, teve como objetivo retratar o contexto socio laboral português na sua relação com a saúde, com especial atenção às condições de trabalho e aos principais problemas de saúde que delas resultam.

Das 184 mil lesões registadas em acidentes laborais por todo o território português em 2013, 68% foram em homens e 32% nas mulheres, "o que se relaciona com o facto de os homens terem profissões com mais exposição ao risco de acidente", referiu a investigadora.

Quanto à taxa de incidência de acidentes ocorridos, a região norte regista 52 lesões por cada mil trabalhadores enquanto no Algarve e nas regiões autónomas essa relação é de 35 por cada mil. Contudo, o número de vítimas mortais dos acidentes de trabalho nas ilhas acaba por superar os do restante território, com cinco casos por cada 100 mil trabalhadores.

Para Raquel Lucas, a frequência de exposição a fatores de risco de natureza ergonómica, que podem prejudicar os trabalhadores a nível físico ou psicológico através de doenças ou desconforto, reportada é elevada em Portugal quando comparados com os da restante Zona Euro. Assim, para a investigadora, “esta exposição justifica que a grande maioria das doenças profissionais certificadas seja musculosquelética", refere.

Outro dos resultados obtidos pelo estudo foi de que quando comparados com trabalhadores das mesmas categorias profissionais de outros países da Zona Euro, os portugueses reportam menos controlo sobre o seu trabalho apesar de a exigência ser equivalente.

Segundo Raquel Lucas, este relatório é um "retrato multidimensional" da saúde ocupacional em Portugal, que reúne informação quantitativa e mostra as disparidades sistemáticas na saúde dos trabalhadores e que pode ser usada como "linha de base para medir o resultado de políticas destinadas a promover a saúde dos trabalhadores".

No projeto participaram seis investigadores, cinco dos quais do ISPUP, contando com a colaboração da Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona.
Este trabalho será apresentado no dia de hoje durante as comemorações dos dez anos do ISPUP, iniciadas na segunda-feira.
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