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PROTEGER #28 - Dezembro de 2016
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Agentes Extintores para Combate de Incêndio

Uma combustão é uma reação química exotérmica, que ocorre entre um material combustível e um material comburente, da qual resultam diversos produtos de combustão, entre os quais calor, radiação luminosa, gases de combustão, fumos e aerossóis e produtos não voláteis. Os produtos resultantes de uma combustão dependem do tipo de combustão. Assim, no caso de combustões lentas, não existe libertação de radiação luminosa e as temperaturas em causa nunca atingirão mais de 500ºC. Já nas combustões vivas, haverá necessariamente libertação de radiação luminosa e as temperaturas ultrapassarão facilmente os 500ºC. Para que exista uma combustão têm de estar presentes obrigatoriamente em simultâneo o combustível, o comburente e a energia de ativação (a energia de activação mais não é do que a energia que faz desencadear a reação de combustão). No entanto, desencadeada a combustão, para que esta se mantenha no tempo terá de se autossustentar. Isto acontece através da utilização do calor libertado pela reação de combustão como nova energia de ativação, para alimentação da combustão. 
 


MECANISMOS DE EXTINÇÃO


Um incêndio pode ser extinto através da eliminação ou redução de um ou vários dos componentes do tetraedro do fogo: combustível, comburente, energia de ativação e reação em cadeia. Assim, é possível extinguir um incêndio através de um ou vários dos seguintes mecanismos:

ARREFECIMENTO
a extinção é efetuada através da diminuição da temperatura, quer do combustível já envolvido na combustão quer dos combustíveis que possam vir a ser consumidos, para níveis para os quais a combustão não seja possível.

CARÊNCIA OU DILUIÇÃO
consiste na redução ou eliminação do combustível (já envolvido na combustão ou que possa vir a ser consumido por esta). No entanto, uma vez que este mecanismo não permite uma rápida extinção do incêndio, é habitual ser utilizado em conjunto com outros mecanismos de extinção. Regra geral, o mecanismo de carência pode ser conseguido pela retirada do combustível do alcance do incêndio ou pela dispersão do combustível.

ABAFAMENTO
a extinção do incêndio consegue-se pela redução do comburente, através de uma ação exterior, que pode ser ou não mecânica.


INIBIÇÃO
através deste mecanismo, a extinção é efetuada por corte da reacção em cadeia, o que evita que a combustão se possa autossustentar. Tal como o mecanismo de carência, o mecanismo de inibição também não é, regra geral, utilizado por si só.

 

 

 

 

CLASSES DE FOGOS


De acordo com a normalização aplicável, designadamente da norma europeia EN 2, os fogos são classificados em função das matérias combustíveis envolvidas na combustão, conforme apresentado no quadro 1.

Quadro 1:
 
  Classe A   Fogos de materiais sólidos, geralmente de natureza orgânica, em que a combustão se faz normalmente com a formação de brasas.
  Classe B   Fogos de líquidos ou de sólidos liquidificáveis.
  Classe C   Fogos de gases.
  Classe D   Fogos de metais.
  Classe E     Fogos envolvendo produtos para cozinhar (óleos e gorduras vegetais ou animais) em aparelhagem de cozinha.


TIPOS DE AGENTES EXTINTORES

 

A extinção dos incêndios pode ser efectuada com recurso a vários tipos de produtos extintores, os quais podem ser aplicados sobre o incêndio através de equipamentos ou sistemas de extinção, que podem ser manuais ou automáticos. De um modo geral, a extinção dos incêndios pode ser efetuada pela aplicação dos agentes extintores apresentados no quadro 2.


SELEÇÃO DE AGENTES EXTINTORES


A seleção dos agentes extintores depende do risco que se pretende proteger. A norma portuguesa NP 1800 fornece orientações relativamente ao tipo de agente extintor que deve ser utilizado em função da classe de fogo. Não obstante as orientações constantes da referida norma, há que ter em consideração as disposições do Regulamento Técnico de Segurança contra Incêndio em Edifícios, estabelecido pela Portaria nº 1532/2008, de 29 de Dezembro, já que é este documento que define as soluções de segurança contra incêndio que devem ser implementadas em cada tipo de edifício. O ideal é a definição do tipo de solução de segurança contra incêndio a aplicar e do tipo de agente extintor a utilizar ser efetuada com base numa avaliação de riscos que tenha em consideração todas as particularidades e fragilidades do espaço a proteger.

Quadro 2:

 
AGENTE EXTINTOR
INFORMAÇÕES
MECANISMO(S) DE EXTINÇÃO
Água
Agente de aplicação generalizada. A sua utilização não é recomendável em fogos em equipamentos elétricos sob tensão, em fogos que envolvam metais combustíveis e em fogos em líquidos combustíveis a altas temperaturas. Pode ser utilizada no estado líquido, na forma de jato, pulverizada ou nebulizada, ou no estado gasoso, na forma de vapor de água.
Arrefecimento
Abafamento
Carência
Água + aditivo (espumas)
Não são indicadas para fogos em equipamentos elétricos sob tensão, para fogos em metais combustíveis nem para equipamentos que possam ser danificados de forma irreversível pela aplicação deste tipo de agente extintor. Dependendo do seu índice de expansão, são classificadas em espumas de baixa, média e alta expansão. As espumas de baixa expansão são indicadas para fogos no exterior, as de média expansão para fogos interiores e exteriores e as de alta expansão para fogos interiores.
Abafamento
Pó químico seco
São geralmente utilizados em extintores de incêndio portáteis, podendo ser também utilizados em sistemas fixos de extinção. Podem ser do tipo ABC, BC ou D, dependendo das classes de fogos para as quais são adequados. Uma vez que os pós são maus condutores elétricos, podem ser utilizados na extinção de fogos que envolvam equipamentos elétricos sob tensão. No entanto, há que ter em consideração que os pós químicos secos podem danificar de forma irreversível os equipamentos elétricos.
Inibição
Abafamento
Agente químico húmido
Consiste numa solução de água e acetato de potássio que é particularmente indicada para a extinção de fogos da classe F, já que transforma os óleos e gorduras para confeção de alimentos numa substância saponácea. Pode ser utilizado em extintores de incêndio ou em sistemas fixos, para instalação em hottes de cozinha.
Abafamento
Gases inertes
Dos vários agentes extintores inertes gasosos existentes, destacam-se o dióxido de carbono (CO2) e o azoto (N2).
O dióxido de carbono e o azoto podem ser utilizados em praticamente todas as classes de fogos, com exceção dos fogos da classe D. O dióxido de carbono pode ser utilizado em extintores de incêndio ou em sistemas fixos de extinção. Deve haver cuidado especial na sua utilização na modalidade de inundação total, em compartimentos fechados, já que implica riscos para a vida humana. Incluem-se também nos gases inertes os agentes extintores gasosos constituídos por misturas de azoto, dióxido de carbono e árgon.
Dióxido de carbono:
Abafamento
Arrefecimento
Azoto:
Abafamento
HFC’s
(hidrofluorcarbonetos)
São constituídos por um composto orgânico de carbono, hidrogénio e flúor, cujas moléculas não contêm mais de seis átomos de carbono cada uma. Podem ser utilizados em extintores de incêndio ou em sistemas fixos.
Dióxido de carbono:
Abafamento
Arrefecimento
Azoto:
Abafamento




Ana Ferreira, APSEI
 

LEIA A VERSÃO INTEGRAL NA EDIÇÃO DA DIGITAL DA PROTEGER #28.


 

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